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Domingo eu vou de carona com seu ABÍLIO BASÍLIO E SEU FUSQUETA, mais a costureira, um ator, uma tia carregando melancia, os trigêmeos, artistas de circo, a mulher-gorila... E olha que ninguém fica a pé, nesta história que Maria Amália Camargo escreveu e Silvana Rando ilustrou! #editoraabacatte (2011) #literaturainfantil #lengalenga #mariaamaliacamargo #silvanarando
Domingo eu vou NA JANELA DO TREM até o Mato Grosso visitar os primos, ver pássaros, pessoas e paisagens que passam, em uma viagem com Lúcia Hiratsuka. Pelos olhos do menino, sempre novos pensamentos. Pergunto pra vovó se estamos chegando. Ela responde que logo, logo. E o longe vai ficando perto... #editoracortez (2013) #literaturainfantil #luciahiratsuka
Domingo eu vou navegar do rio ao mar, com o VAPORZINHO de Enéas Guerra. O balanço da marola embala meu repouso e, quietinho, vou sonhando sob a luz do luar! Durante o dia, vou ligeiro, barriguinha quente, fumaça no céu... Está é uma viagem cheia de sensações, ritmos e sabores do velho vapor de Cachoeira. Informativo afetivo #solislunaeditora (2009) #literaturainfantil #eneasguerra
Domingo eu vou até O AEROCLUBE, porque ler é voar, como ensinava o pai, enquanto Alaor vivia de olhos pregados no céu e na coleção de figurinhas com aviões do mundo inteiro -- e o mundo inteiro do menino se transforma quando o filho do prefeito traz um avião de dois lugares para a pequena cidade... #editorapositivo (2014) #literaturainfantojuvenil #walthermoreirasantos ilustração #mateusrios
Domingo eu vou fazer A GRANDE VIAGEM em uma nave, quando todos estiverem dormindo. Escaparei pela janela do quarto, tocando as nuvens com as mãos e as terras distantes com meus pés... Um sonho proposto por Anna Castagnoli, com chapéu coco e imagens surrealistas de Gabriel Pacheco #oqo #editorapositivo (2012) #annacastagnoli #gabrielpacheco trad. Maurício S. Dias
Domingo eu vou A TODA VELOCIDADE com o imagiário de Marie-Laure Cruschi que trata, de maneira bastante livre, da performance de animais, veículos, objetos, fenômenos naturais ou astronômicos dos mais diversos. Para ver e comparar. Razões matemáticas, grandezas e medidas curiosas... #edicoessm (2015) #imagier #livroinformativo #cruschiform
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29 de novembro de 2015
Domingo eu vou.
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Abaccate,
Cortez Editora,
Edições SM,
Editora Positivo,
Enéas Guerra,
Gabriel Pacheco,
Lúcia Hiratsuka,
Maria Amália Camargo,
Mateus Rios,
Silvana Rando,
Solisluna Editora,
Walther Moreira dos Santos
23 de setembro de 2014
das árvores textuais
Peter O'Sagae
Diferentes histórias para crianças lançam suas raízes sobre os gêneros da literatura oral, na forma de apropriação ou estilização dos velhos esquemas textuais. Sentemos à sombra das palavras e das alegorias, por favor...
KAMAZU é o reconto de uma lenda angolana, com texto e ilustrações de Carla Caruso (Mundo Mirim, 2012). Órfão e escravo entre os negros de sua terra, após ter sido empenhado como pagamento por um tio, Kamazu sonha e muito trabalha para libertar-se. Ao final do dia, descansa protegido por um baobá, árvore robusta de imensa força simbólica: longevidade, paciência, permanência... Então, veio, uma noite, uma voz que o levaria à visão de um rio. Porém, Kamazu não deu a devida importância à mensagem da natureza que sempre penetra o sonho dos homens. A voz voltou para acordá-lo e, então, o fez caminhar para o curso de seu próprio destino: conhecer os segredos das plantas para curar a dor dos animais e dos homens, libertando o próximo para libertar a si.
Nesta apropriação de uma narrativa tradicional, Carla Caruso deu um nome ao herói e acrescentou outros elementos da cultura mágica africana, como as sombras que se movem alimentando os bosques de mistério e uma verde pedra calubungo, espécie de pedra filosofal que potencializa as propriedades medicinais das ervas combinadas.
SABELÁONDE é um livro ilustrado de Cristiana Valentini e Philip Giordano, com tradução de Maria Amália Camargo (Caramelo, 2012). Trata-se de um apólogo a respeito do amadurecimento interior: enquanto muitas sementes esperam a passagem do vento para caírem no mundo, e virarem árvores, e começarem a falar, sabeláonde, sabeláquando, uma semente pequenina preferiu agarrar-se à copa de uma cerejeira no alto de uma montanha deserta, ou melhor, quase deserta. Lá permaneciam a árvore e sua semente, recebendo abrigo e agasalho contra a chuva, o sol ardido, as ventanias frias, por mais um dia, um dia, um dia... A sementinha no entanto não aprendia a falar. Confiante e contente, apenas sorria a todas as perguntas que a árvore perguntava, até que um pássaro roubou a companhia entre ambas em uma manhã de outono. Seria o fim, ou o começo de uma nova estação, em outra montanha, não muito distante, sabeláonde, do outro lado da campina?
No diálogo com o passado fabular, o apólogo moderno ainda se concentra em temas do cotidiano, humanizando uma aprendizagem. Contudo, a figura do ouvinte tradicional, preocupado em defender-se dos interesses e das imposturas sociais, passa a reviver uma relação mais íntima, familiar e existencial.
PÉ DE SAPATO, com texto e ilustrações de Hermes Bernadi Jr. (Biruta, 2011), traz uma alegoria ou uma história de muitas histórias. Enquanto uma árvore morria, bem no centro de um vilarejo, os habitantes recusavam-se a sair do conforto de suas casas. Eles viviam descalços, verdadeiramente presos, com medo de machucar os pés. Por isso, bem pouco conversavam na hora que um e outro abria ou fechava a janela. Um sapateiro chegou ao lugar, sem que ninguém lhe desse atenção, tão bem pareciam viver as pessoas descalças dentro de casa... Mas o sapateiro fez tamancos bordados, chinelas de seda e fitas, sapatos de couro, botas pintadas, sapatilhas e sandálias de várias feitios que se acumulavam sob a árvore, depois em seus galhos ao modo de flores coloridas – e, como os pássaros da ilustração, Hermes conta que os olhos viriam espiar e pousar sobre os sapatos através da fresta das janelas.
O clima pertence à natureza dos contos mágicos, com vocação para a lenda: uma menina se achega da árvore e escolhe calçar o primeiro par de sapatos! Ela é uma espécie de Cinderela abrindo caminho para as pessoas daquele lugar, inventando histórias e voando por outras estradas porque os pés jamais viverão nus, dentro de casa, outra vez.
Diferentes histórias para crianças lançam suas raízes sobre os gêneros da literatura oral, na forma de apropriação ou estilização dos velhos esquemas textuais. Sentemos à sombra das palavras e das alegorias, por favor...
KAMAZU é o reconto de uma lenda angolana, com texto e ilustrações de Carla Caruso (Mundo Mirim, 2012). Órfão e escravo entre os negros de sua terra, após ter sido empenhado como pagamento por um tio, Kamazu sonha e muito trabalha para libertar-se. Ao final do dia, descansa protegido por um baobá, árvore robusta de imensa força simbólica: longevidade, paciência, permanência... Então, veio, uma noite, uma voz que o levaria à visão de um rio. Porém, Kamazu não deu a devida importância à mensagem da natureza que sempre penetra o sonho dos homens. A voz voltou para acordá-lo e, então, o fez caminhar para o curso de seu próprio destino: conhecer os segredos das plantas para curar a dor dos animais e dos homens, libertando o próximo para libertar a si.
Nesta apropriação de uma narrativa tradicional, Carla Caruso deu um nome ao herói e acrescentou outros elementos da cultura mágica africana, como as sombras que se movem alimentando os bosques de mistério e uma verde pedra calubungo, espécie de pedra filosofal que potencializa as propriedades medicinais das ervas combinadas.
SABELÁONDE é um livro ilustrado de Cristiana Valentini e Philip Giordano, com tradução de Maria Amália Camargo (Caramelo, 2012). Trata-se de um apólogo a respeito do amadurecimento interior: enquanto muitas sementes esperam a passagem do vento para caírem no mundo, e virarem árvores, e começarem a falar, sabeláonde, sabeláquando, uma semente pequenina preferiu agarrar-se à copa de uma cerejeira no alto de uma montanha deserta, ou melhor, quase deserta. Lá permaneciam a árvore e sua semente, recebendo abrigo e agasalho contra a chuva, o sol ardido, as ventanias frias, por mais um dia, um dia, um dia... A sementinha no entanto não aprendia a falar. Confiante e contente, apenas sorria a todas as perguntas que a árvore perguntava, até que um pássaro roubou a companhia entre ambas em uma manhã de outono. Seria o fim, ou o começo de uma nova estação, em outra montanha, não muito distante, sabeláonde, do outro lado da campina?
No diálogo com o passado fabular, o apólogo moderno ainda se concentra em temas do cotidiano, humanizando uma aprendizagem. Contudo, a figura do ouvinte tradicional, preocupado em defender-se dos interesses e das imposturas sociais, passa a reviver uma relação mais íntima, familiar e existencial.
PÉ DE SAPATO, com texto e ilustrações de Hermes Bernadi Jr. (Biruta, 2011), traz uma alegoria ou uma história de muitas histórias. Enquanto uma árvore morria, bem no centro de um vilarejo, os habitantes recusavam-se a sair do conforto de suas casas. Eles viviam descalços, verdadeiramente presos, com medo de machucar os pés. Por isso, bem pouco conversavam na hora que um e outro abria ou fechava a janela. Um sapateiro chegou ao lugar, sem que ninguém lhe desse atenção, tão bem pareciam viver as pessoas descalças dentro de casa... Mas o sapateiro fez tamancos bordados, chinelas de seda e fitas, sapatos de couro, botas pintadas, sapatilhas e sandálias de várias feitios que se acumulavam sob a árvore, depois em seus galhos ao modo de flores coloridas – e, como os pássaros da ilustração, Hermes conta que os olhos viriam espiar e pousar sobre os sapatos através da fresta das janelas.
O clima pertence à natureza dos contos mágicos, com vocação para a lenda: uma menina se achega da árvore e escolhe calçar o primeiro par de sapatos! Ela é uma espécie de Cinderela abrindo caminho para as pessoas daquele lugar, inventando histórias e voando por outras estradas porque os pés jamais viverão nus, dentro de casa, outra vez.
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Biruta e Gaivota,
Carla Caruso,
Ed. Mundo Mirim,
Editora Caramelo,
Hermes Bernardi Jr.,
Maria Amália Camargo,
Mitos e Lendas,
Vozes que levam à África
26 de agosto de 2014
vejo a lua... e você?
Peter O'Sagae
Uma das imagens literárias mais cálidas e recorrentes, na voz dos poetas, é a lua. Também toda mãe e pai atento, ’vó coruja ou professora orgulhosa certamente têm na lembrança uma coleção de frases, analogias, análises e olhares infantis sobre o satélite móvel. É realmente um dos primeiros mistérios que interessa às crianças – nem todas, é verdade, mas àquelas que nascem com instinto de investigação. Afinal, como pode algo sempre no alto modificando sua forma, cor e localização? Por que a Lua exige que a gente se veja toda noite a procurá-la?
O que acontece quando ela desaparece?
I
Maria Amália Camargo que tem mania de mexer com as palavras, encontrou explicações que nenhum cientista concordaria... e descobriu como se deu o primeiro eclipse lunar! Imagine que a Lua andava cheia da vida e suas tarefas. Olhava o rosto no espelho das águas, via-se cansada, inchada, a pele inteira esburacada e, então, decidiu sair de férias. Só não pense que foi coisa fácil, as estrelas armaram uma grande confusão! Tudo isso se conta em tom de comédia no livro QUANDO A LUA TOMOU CHÁ DE SUMIÇO, ilustrado com caras e bocas, sorrisos e uma tonelada de piscas-piscas por May Shuravel (Caramelo, 2013).
II
A autora belga Anne Herbauts sonha um percurso ilustrado com imagens do cotidiano. Porque dorme durante o dia, a velha Lua quando acorda, acaricia o gato, desenha milhares de estrelas nas paredes do céu e sai para fazer a ronda: recolhe névoas, leva os ruídos para longe, cerra cortinas e janelas... Ah, sim! Semeia sonhos e varre os pesadelos embora – até que seja hora de regar o amanhecer de orvalho. QUE FAZ A LUA À NOITE? é um livro faceiro e bucólico representando uma lógica de ações bastante linear para crianças pequenas – e sonhadores de qualquer idade (DCL, 2013).
Uma das imagens literárias mais cálidas e recorrentes, na voz dos poetas, é a lua. Também toda mãe e pai atento, ’vó coruja ou professora orgulhosa certamente têm na lembrança uma coleção de frases, analogias, análises e olhares infantis sobre o satélite móvel. É realmente um dos primeiros mistérios que interessa às crianças – nem todas, é verdade, mas àquelas que nascem com instinto de investigação. Afinal, como pode algo sempre no alto modificando sua forma, cor e localização? Por que a Lua exige que a gente se veja toda noite a procurá-la?
O que acontece quando ela desaparece?
I
Maria Amália Camargo que tem mania de mexer com as palavras, encontrou explicações que nenhum cientista concordaria... e descobriu como se deu o primeiro eclipse lunar! Imagine que a Lua andava cheia da vida e suas tarefas. Olhava o rosto no espelho das águas, via-se cansada, inchada, a pele inteira esburacada e, então, decidiu sair de férias. Só não pense que foi coisa fácil, as estrelas armaram uma grande confusão! Tudo isso se conta em tom de comédia no livro QUANDO A LUA TOMOU CHÁ DE SUMIÇO, ilustrado com caras e bocas, sorrisos e uma tonelada de piscas-piscas por May Shuravel (Caramelo, 2013).
II
A autora belga Anne Herbauts sonha um percurso ilustrado com imagens do cotidiano. Porque dorme durante o dia, a velha Lua quando acorda, acaricia o gato, desenha milhares de estrelas nas paredes do céu e sai para fazer a ronda: recolhe névoas, leva os ruídos para longe, cerra cortinas e janelas... Ah, sim! Semeia sonhos e varre os pesadelos embora – até que seja hora de regar o amanhecer de orvalho. QUE FAZ A LUA À NOITE? é um livro faceiro e bucólico representando uma lógica de ações bastante linear para crianças pequenas – e sonhadores de qualquer idade (DCL, 2013).
10 de maio de 2012
a outra cartilha da ervilha
peter o’sagae
Conta Maria Amália Camargo que “ela nem precisou de muito mais tempo para perceber que, vivendo naquele castelo, passaria o resto dos dias como naquela noite: em maus lençóis!” Tudo por causa de um grãozinho de ervilha e um príncipe que não tinha nada de grã-fino!
Cada um imagine a confusão que aconteceu com esta moça chamada Emília Ercília que lá chegou, debaixo de um toró, toda maltrapilha... Ou leia o livro para saber como ela mesma decidiu e enfiou-se pelo mundo afora até encontrar seu verdadeiro amor: alguém que realmente a ajudasse a encontrar o caminho para casa debaixo de tempo ruim.
Faça chuva, faça vento, com ilustrações de Ionit Zilberman a saltarilhar sempre bom humor, o texto de Maria “Emília” Camargo vira-mexe e palavras empilha para entortar, ops, recontar Andersen: A ervilha que não era torta... mas deixou uma princesa assim (Caramelo, 2012).
Conta Maria Amália Camargo que “ela nem precisou de muito mais tempo para perceber que, vivendo naquele castelo, passaria o resto dos dias como naquela noite: em maus lençóis!” Tudo por causa de um grãozinho de ervilha e um príncipe que não tinha nada de grã-fino!
Cada um imagine a confusão que aconteceu com esta moça chamada Emília Ercília que lá chegou, debaixo de um toró, toda maltrapilha... Ou leia o livro para saber como ela mesma decidiu e enfiou-se pelo mundo afora até encontrar seu verdadeiro amor: alguém que realmente a ajudasse a encontrar o caminho para casa debaixo de tempo ruim.
Faça chuva, faça vento, com ilustrações de Ionit Zilberman a saltarilhar sempre bom humor, o texto de Maria “Emília” Camargo vira-mexe e palavras empilha para entortar, ops, recontar Andersen: A ervilha que não era torta... mas deixou uma princesa assim (Caramelo, 2012).
vamos à feira passear
peter o’sagae*
Antes que eu tire a mesa, diga logo o que pensou: laranja pêra couve manteiga... porque é assim: com pressa, leveza e graça que Maria Amália nos conta um dia de feira, terça-feira, para esvaziar os bolsos e encher a geladeira! Neste livro, tem muito freguês bacana querendo chuchu a preço de banana! Vamos à rua feirar com o pão-duro, o diplomata, a metereologista, o médico, a veterinária e o economista — e bisbilhotar cada pechincha, sacola, dieta e cozinha ;-)
Do som ao sentido, vemos aqui simples listas de frutas, legumes, hortaliças e quejandos transfigurando-se em poesia com ritmo e ironia. Cada personagem tem hábitos bem particulares a nos preparar a curiosidade e o apetite. O pão-duro não aceita nada muito esnobe como uva rubi ou abacaxi pérola, açúcar cristal nem pensar; em sua casa, só entra mesmo comida estranha, sem riqueza: quer saber, a ameixa é seca; a alface, crespa, e a ervilha, torta! Já o economista tem por dieta ideal frutas e verduras de nome composto, como banana-maçã ou tomate cereja. O que vai na cesta básica do médico? A metereologista prefere bolinhos de chuva e acepipes do gênero... É uma viagem a seleção do diplomata, você pode imaginar quantos pratos e vegetais tem nome de cidade, país ou capital? Comida com nome de bicho é bem coisa da veterinária!
Por fim, uma breve confissão: tive o prazer de saborear toda essa brincadeira Laranja pêra couve manteiga, de Maria Amália Camargo (Girafinha, 2006), meses antes do texto virar livro. Tão logo li, vi que seu trabalho vai além de uma simples enumeração. Sua proposta não é fortuita, investe de humor o jogo que joga nossa própria língua. Metonímias à parte, catacreses de montão, no cardápio de uma clientela tão eclética mas... Quanto tempo ela levou para recolher e arranjar tantos nomes esdrúxulos do dia-a-dia? Não sei, não importa. A ilustração de André Neves, como sempre, com bons enquadramentos, cores fortes, recortes, texturas curiosas. Fica para nós-leitores, com certeza, a bela sobremesa de um projeto bem casado!
* Extraído de Dobras da Leitura 37: setembro de 2006.
Antes que eu tire a mesa, diga logo o que pensou: laranja pêra couve manteiga... porque é assim: com pressa, leveza e graça que Maria Amália nos conta um dia de feira, terça-feira, para esvaziar os bolsos e encher a geladeira! Neste livro, tem muito freguês bacana querendo chuchu a preço de banana! Vamos à rua feirar com o pão-duro, o diplomata, a metereologista, o médico, a veterinária e o economista — e bisbilhotar cada pechincha, sacola, dieta e cozinha ;-)
Do som ao sentido, vemos aqui simples listas de frutas, legumes, hortaliças e quejandos transfigurando-se em poesia com ritmo e ironia. Cada personagem tem hábitos bem particulares a nos preparar a curiosidade e o apetite. O pão-duro não aceita nada muito esnobe como uva rubi ou abacaxi pérola, açúcar cristal nem pensar; em sua casa, só entra mesmo comida estranha, sem riqueza: quer saber, a ameixa é seca; a alface, crespa, e a ervilha, torta! Já o economista tem por dieta ideal frutas e verduras de nome composto, como banana-maçã ou tomate cereja. O que vai na cesta básica do médico? A metereologista prefere bolinhos de chuva e acepipes do gênero... É uma viagem a seleção do diplomata, você pode imaginar quantos pratos e vegetais tem nome de cidade, país ou capital? Comida com nome de bicho é bem coisa da veterinária!
Por fim, uma breve confissão: tive o prazer de saborear toda essa brincadeira Laranja pêra couve manteiga, de Maria Amália Camargo (Girafinha, 2006), meses antes do texto virar livro. Tão logo li, vi que seu trabalho vai além de uma simples enumeração. Sua proposta não é fortuita, investe de humor o jogo que joga nossa própria língua. Metonímias à parte, catacreses de montão, no cardápio de uma clientela tão eclética mas... Quanto tempo ela levou para recolher e arranjar tantos nomes esdrúxulos do dia-a-dia? Não sei, não importa. A ilustração de André Neves, como sempre, com bons enquadramentos, cores fortes, recortes, texturas curiosas. Fica para nós-leitores, com certeza, a bela sobremesa de um projeto bem casado!
* Extraído de Dobras da Leitura 37: setembro de 2006.
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